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 Notícias

11/02/2017

'Movimento cometeu erros, mas greve da PM no Espírito Santo está na conta do governo', diz especialista em segurança




"O que se assiste é um abandono, é a lógica do 'se vire', porque todos querem tirar algum dividendo político da desgraça."

É assim que a antropóloga Jacqueline Muniz descreve a situação provocada pela greve da Polícia Militar no Espírito Santo. Segundo ela, os erros cometidos pelos dois lados - governo e policiais - deixam a população refém do medo e da violência, em meio à falta de planos de emergência para lidar com crises de segurança.

Na noite de sexta-feira, o governo do Espírito Santo anunciou um acordo com associações de policiais militares para que os PMs voltassem ao trabalho até as 7h de sábado. O documento, no entanto, não incluia os movimentos de mulheres e familiares dos policiais que, na última semana, impediram a saída de viaturas dos Batalhões e Quartéis do Estado. Em nota, esses movimentos afirmaram que não há acordo com o governo e a paralisação foi mantida, apesar do acordo.

Muniz é doutora em Estudos de Polícia, professora do bacharelado em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF) e conselheira do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ela deu aulas no curso de especialização da PM do Espírito Santo e também já foi diretora da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio. Agora, usa sua experiência em ambos os lados para analisar a crise.

Confira os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - No início da paralisação no Espírito Santo, você publicou no Facebook um artigo que escreveu sobre a greve dos PMs mineiros em 1997 e disse ter receio de que o Brasil tenha voltado a 20 anos atrás. Por quê?

Jacqueline Muniz - Temos 20 anos em que greves de policiais militares acontecem no país. E ao longo da História brasileira tivemos greves de forças policiais desde o Império. O Exército já se amotinou, várias forças já foram extintas e recriadas por causa de conflitos entre elas e com o governo.

Parece que desaprendemos a lidar com isso - e esse desaprender é intencional. O que eu vejo são cálculos oportunistas. A ideia do "quanto pior, melhor" tem favorecido péssimos governantes.

BBC Brasil - O que há de comum entre as greves de PMs que ocorreram no Brasil nos últimos 20 anos - em Minas, Rio, Bahia, Rio Grande do Sul - e esta?

Muniz - Os contextos delas são diferentes, mas é preciso lembrar que os policiais militares sabem muito bem que eles são impedidos legalmente de fazer uma greve.

No entanto, eles precisam reivindicar e fazer valer os seus direitos, que são legítimos. É legítimo pedir melhorias de condições de trabalho e reajustes salariais - claro que de forma realista.

Todo movimento grevista faz uso da oportunidade: há cenários mais propícios a desencadear greves. Isso é diferente de ser oportunista. É fazer uso de oportunidades para dar visibilidade e chamar a atenção da sociedade para sua causa.

Então é evidente que um momento de crise e de precarização das relações trabalhistas, como o atual, é avaliado como um momento oportuno para conseguir melhorias - que podem não ser um aumento de salário, mas outros benefícios.

Em outros momentos, como na Bahia, a PM ameaçou fazer greve durante a Copa do Mundo, durante a Olimpíada. Por que você vai escolher fazer uma manifestação nesses momentos? Por que o país inteiro vai estar prestando atenção. Você diz que vai fazer para forçar uma negociação. Não há nada de errado nisso. O cálculo politico é feito dos dois lados.

Mas há, é claro, práticas oportunistas que se beneficiam de movimentos reivindicatórios: grupos de extermínio, segurança privada clandestina, acertos de contas dentro do crime e de criminosos com setores corruptos da segurança pública. Eles se beneficiam destes momentos para mostrar seu poderio e fazer seu "marketing do terror".

Além disso, sempre que há uma crise na segurança, os governantes têm o hábito de desaparecer. Ou saem do país, ou dizem que estão em outro Estado. Nunca são eles próprios que falam, mas sim um porta-voz.

Isso é padrão para os nossos governantes em crises e ondas de violência. Eles terceirizam a responsabilidade dada pelo voto de modo a poupar a sua imagem.

 BBC Brasil - Assim como no Espírito Santo, mulheres e familiares de PMs deram início à paralisação no Rio Grande do Sul em 2015. É comum a presença de familiares "na linha de frente" da greve?

Muniz - Nenhum familiar impede policial nenhum de sair. Se eles não estão saindo é porque estão aquartelados.

Essa é uma manifestação simbólica que busca produzir dois efeitos: o primeiro é buscar a simpatia e a adesão da população, porque mulheres e crianças você não vai retirar à força, já que são civis desarmados.

O segundo é que, como a greve dos PMs é ilegal, esta é uma maneira de contornar a ilegalidade disso e colocar os familiares e poder dizer para a Justiça: "olha, eu estou querendo ir trabalhar, mas estou sendo impedido. E não posso bater na minha própria mulher, espancar meu filho".

Elas vão para a...

Leia a íntegra em  http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38933455


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