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As competências básicas do policial militar da PMDF, em policiamento turístico, para a Copa do Mundo de 2014

17/04/2014

.... Os batalhões especializados em policiamento turístico seriam extremamente úteis para atender as demandas de um fluxo normal de turistas de uma Copa do Mundo...

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As competências básicas do policial militar da PMDF, em policiamento turístico, para a Copa do Mundo de 2014

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AS COMPETÊNCIAS BÁSICAS DO POLICIAL MILITAR DA PMDF, EM POLICIAMENTO TURÍSTICO, PARA A COPA DO MUNDO DE 2014

 

Publicação autorizada pelo autor em 7 de abril de 2014

 

 

 

Alessandro V. Oliveira Tempesta

Coronel da Reserva da PMDF

Setembro de 2011

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

 

Taylor começou a trabalhar com os operários do mais baixo nível, estudando-os e analisando-os em um paciente trabalho de coleta de dados sobre as tarefas que estes operários executavam, decompondo os seus movimentos e processos de trabalho. Em seu livro Administração de Oficinas, ele ensina que os empregados deveriam ser cientificamente adestrados para aperfeiçoarem suas aptidões e executarem um serviço ou tarefa, de modo que a produção normal fosse cumprida. Naquela época, já se pensava em capacitação específica, pois a administração era vista por ele como uma ciência, onde não havia lugar para a improvisação e sim para o planejamento.

Administrar situações novas e resolver problemas que exijam uma visão prospectiva por parte dos gestores são desafios que atravessaram os séculos desde o princípio das organizações.

A Polícia Militar do Distrito Federal tem realizado estudos promovendo a capacitação dos seus profissionais, preparando-os para as diversas situações onde tenham que atuar. Neste trabalho, ressalta-se a preparação para a Copa do Mundo de 2014, onde a totalidade do efetivo da instituição deverá participar deste acontecimento histórico.

Brasília sediará jogos do Mundial de 2014, consequentemente nos dias que ocorrerem os eventos tornar-se-á um pólo atrativo ao turismo nacional e internacional, alterando assim a vida do cidadão brasiliense devido ao aumento do número de turistas nesta capital federal. Sendo assim, a Polícia Militar do Distrito Federal deverá capacitar seus componentes, para que executem um serviço personalizado de atendimento ao turista, como determinam as novas filosofias de policiamento, com descentralizações de procedimentos conforme a situação exigir.

Para tanto o trabalho realizou um mapeamento das competências básicas, que serão necessárias aos policiais militares, participantes da Copa do Mundo de 2014. No segundo capítulo, será realizado um estudo documental a respeito do que já é feito pela Polícia Militar do Distrito Federal, referente à preparação de pessoal e a experiência das polícias alemã e sul-africana nas Copas do Mundo de 2006 e 2010 respectivamente.

No terceiro capítulo serão abordadas as competências e conceitos de conhecimento, habilidade e atitude, que deverão nortear a doutrina dos cursos e estágios de policiamento turístico na Polícia Militar do Distrito Federal.

O quarto capítulo tratará a prática de gestão abordando a existência do clima organizacional, destacando valores fundamentais para qualquer instituição que almeje alcançar o sucesso, através da temática: comprometimento versus envolvimento dos seus integrantes.

Por fim, nas considerações finais mapear-se-ão quais serão as competências básicas comuns a todos os policiais militares, independente de postos ou graduações, para que estejam aptos a trabalharem em todos os locais no Distrito Federal na Copa do Mundo de 2014.

 

 

1.1TEMA

 

            As Competências básicas do policial militar da polícia militar do Distrito Federal, em policiamento turístico, para a Copa do Mundo de 2014.

 

 

1.2 PROBLEMA

 

A escolha do Brasil pela FIFA, como sede da Copa do Mundo de 2014, trará mais uma vez, um acontecimento histórico para a nação brasileira. 

Na segunda edição, em solo pátrio, que será uma das sedes que irão receber jogos e seleções internacionais. Este fato irá alterar para sempre o destino de milhões de brasileiros, em particular de brasilienses que vivem dos diversos segmentos ligados ao turismo. O desenvolvimento que este evento internacional trará para o turismo nacional e local fomentará transformações antes durante e após a Copa do Mundo de 2014.

É fato que um evento de tamanha magnitude exige por parte de todos os órgãos públicos preparação e capacitação de profissionais, que estarão envolvidos de forma direta e indireta durante a Copa do Mundo no Brasil e terá lugar também em Brasília.

Faz-se necessária uma avaliação do que a Polícia Militar do Distrito Federal tem realizado, de forma efetiva na preparação de seus componentes, referente à capacitação técnico-profissional. Esta ocorrerá através dos cursos de especialização propostos pelo Plano Anual de Ensino – PAE 2011-, visando assim, o atendimento deste turista que estará em Brasília durante a realização da Copa.

Com todo o legado que a Copa do Mundo deixará, cada membro da corporação da Polícia Militar do Distrito Federal permanecerá executando seu trabalho preventivo, independentemente da unidade onde sirva, seja ela especializada em policiamento turístico ou componente das demais unidades policiais militares.

Diante destes desafios, este trabalho possui como tema central a seguinte questão: quais são as competências básicas do policial militar da PMDF, em policiamento turístico, para a Copa do Mundo de 2014?

 

 

1.3. JUSTIFICATIVA

 

O plano estratégico da Polícia Militar do Distrito Federal (2011-2022), através de análise prospectiva, contempla a Copa do Mundo de 2014 com uma iniciativa estratégica, quando direciona a elaboração de planos específicos para o emprego da força policial neste grande evento (item 9.3.12 do Plano Estratégico da PMDF).

Em outros tópicos, o referido plano estratégico determina como iniciativa a capacitação de 6000 policiais militares em língua estrangeira, sendo 3000 em idioma espanhol e 3000 em idioma inglês (item 3.4.1 e 3.4.2 do Plano Estratégico da PMDF).

Foi possível acompanhar a disputa acirrada de diferentes países para conseguir sediar a Copa do Mundo de 2014, visto que o retorno econômico com a sua efetivação envolve cifras de grande magnitude, devido ao turismo que advém deste evento internacional.

Os governantes têm realizado investimentos no campo da infra-estrutura, para receber bem os turistas que adentram em nosso país todos os anos.

No campo da segurança pública, que é a proposta desta abordagem, foram realizados já no início do corrente ano investimentos em equipamentos, viaturas e aquisição de novas unidades de comando móvel, os quais possuem a capacidade de estarem próximos de diversos locais onde se realizam jogos, shows, etc., nos mais variados tipos de terrenos.

Na especialização profissional foi prevista pelo plano anual de ensino da Polícia Militar do Distrito Federal (PAE-2011), a realização de cursos e estágios na área de policiamento turístico, com previsão de capacitação de militares da corporação em diferentes postos e graduações.

Faz-se necessária uma abordagem no campo das competências dos policiais militares que executam, atualmente, o policiamento turístico na capital federal, e atuarão no mundial de 2014. Há relevância nos investimentos que estão sendo destinados a este grandioso evento, onde todos os países estarão observando os acontecimentos divulgados pela mídia sobre Brasília e suas estruturas turísticas.

A Polícia Militar do Distrito Federal participará deste evento internacional, por isso é necessária uma análise da preparação do militar da PMDF, através da definição de suas competências básicas em policiamento turístico.

 

 

1.4. SUPOSIÇÕES

 

Há indícios de que o policial militar do Distrito Federal não possua as competências básicas necessárias ao atendimento ao turista que participará da Copa do Mundo.

Existem sinas que os princípios da prática de gestão realizados pela corporação venham a influir na atuação dos policiais militares que atenderão aos turistas na Copa do Mundo.

 

 

1.5. OBJETIVO DA PESQUISA

 

1.5.1 OBJETIVO GERAL

 

Mapear as competências básicas a todo policial militar do Distrito Federal, com a finalidade de fazê-las presente na capacitação para a Copa do Mundo.

 

 

1.5.2 OBJETIVO ESPECÍFICO

 

a) Verificar e caracterizar o tipo de turismo de eventos (Copa do Mundo).

b) Comparar a capacitação, em policiamento turístico, realizada pelas forças de segurança pública da Alemanha e da África do Sul, onde eventos similares já foram desenvolvidos.

c) Elaborar uma nova proposta que possibilite a todos os policiais militares da PMDF, independentemente do posto ou graduação, ou unidade policial militar que estejam servindo, a adquirir conhecimentos básicos em policiamento turístico, com a finalidade de atuarem na Copa do Mundo.

 

 

1.6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

Quando uma pessoa se desloca voluntariamente por período de tempo superior a vinte e quatro horas, para localidades diferentes da sua residência e de seu local de trabalho, sem a finalidade de obter lucro, este visitante é considerado turista, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT, 2011).

 O turismo é um tema atual devido às enormes ‘cifras’ envolvidas nesta atividade. Para se ter uma idéia da sua magnitude, foi possível constatar através da mídia a disputa acirrada de muitos países para conseguirem sediar a Copa do Mundo de 2014, visto que é possível obter retorno do evento em todas as suas fases e aumentar o número de turistas no país sede. No caso em estudo, a participação Distrito Federal, as propagandas dos eventos realizadas pelos meios de comunicação gerarão divisas e promoverão a criação de novos empregos.

A Polícia Militar do Distrito Federal insere-se no contexto por sua missão precípua e constitucional de policiamento ostensivo e preventivo, sendo um dos seus objetivos oferecer segurança ao turista que visita a capital federal. Uma vez que o turista receba um tratamento diferenciado, ficará ele desejoso de retornar a capital.                                                                                                                                                                                       

Portando, a proposta inicial deste trabalho tem a finalidade de mapear as competências básicas do policial militar do Distrito Federal com a intenção de fazê-las presente na capacitação para a Copa do Mundo.

O papel desenvolvido pela Polícia Militar não poderia ficar atrás do movimento de estruturação do turismo, como uma proposição de possíveis soluções e a análise da especialização do serviço, em policiamento turístico e idiomas estrangeiros. Com a criação em 2001 de um grupamento turístico denominado GEPTur, iniciou-se no Distrito Federal a prestação de um serviço voltado para o atendimento ao turista.

Esta necessidade de atender a este público diferenciado levou a Agência de Desenvolvimento do Turismo do Distrito Federal (ADETUR) a ser transformada em Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (SETUR), criada pela lei n 3.116/02, tendo a finalidade de implementar na esfera de suas atribuições a política de turismo da capital do Brasil.

            Países como a Alemanha e África do Sul, que foram sedes dos últimos mundiais, já passaram pela experiência de preparar seus milicianos para grandes eventos, podendo colaborar com suas experiências para o mundial de 2014.

 

 

1.7. METODOLOGIA

 

Foi realizada uma pesquisa documental e bibliográfica sobre o mapeamento das competências básicas que os policiais militares devem possuir para trabalhar na Copa do Mundo de 2014.

A metodologia conduziu a pesquisa fundamentando o trabalho científico realizado. A pesquisa foi norteada pelo plano estratégico da PMDF, nos itens relacionados, a capacitação dos policiais militares para participarem dos grandes eventos a serem realizados no Distrito Federal.

 

 

1.7.1 MÉTODOS CIENTÍFICOS

 

A utilização das pesquisas relacionadas às ciências sociais tem-se distinguido através de dois ramos de método, os métodos de procedimento e os métodos de abordagem. Neste trabalho se fará presente o método de abordagem, onde é permitido um nível de abstração mais elevado, tratando de fenômenos ocorridos na nossa sociedade.

Estes métodos podem ser classificados em: dedutivos, indutivos, hipotético-dedutivo e dialético (MARCONI E LAKATOS, 1995).

O método dedutivo parte de observações gerais e dessas generalizações chega a conclusões particulares (MARCONI E LAKATOS, 1995).

Neste trabalho será utilizado o método dedutivo, sendo realizado um mapeamento das competências básicas presentes na capacitação dos policiais militares da PMDF.

 

 

1.7.2 TIPO E TÉCNICA DE PESQUISA

 

         A pesquisa exploratória é desenvolvida no sentido de proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato. Portanto, esse tipo de pesquisa é realizado sobretudo quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil formular hipóteses precisas e operacionalizáveis (GIL, 1999).

Sendo assim, será realizada uma pesquisa exploratória, por ser mais flexível, possibilitando um estudo bibliográfico, visto que o tema policiamento turístico ainda é pouco estudado e suas fontes não são encontradas em livros e artigos científicos.

 A pesquisa documental vale-se de materiais que ainda não receberam nenhuma análise aprofundada. Esse tipo de pesquisa visa, assim, selecionar, abordar e interpretar a informação bruta, buscando extrair dela algum sentido e introduzir-lhe algum valor. Podendo desse modo, contribuir com a comunidade científica a fim de que outros possam voltar a desempenhar futuramente o mesmo papel (SILVA E GRIGOLO, 2002).

Este trabalho caracteriza-se por ser uma pesquisa documental direta, pois o turismo possui informações contidas em diferentes fontes, como jornais, revistas e outras que ainda não receberam um tratamento analítico por parte dos seus autores. Também serão estudados os documentos internos da corporação relacionados ao policiamento turístico e a Copa do Mundo de 2014.

A pesquisa qualitativa tem caráter exploratório, isto é, estimula os entrevistados a pensarem livremente sobre algum tema, objeto ou conceito. Mostra aspectos subjetivos e atingem motivações não explícitas, ou mesmo conscientes, de maneira espontânea. É utilizada quando se busca percepções e entendimento sobre a natureza geral de uma questão, abrindo espaço para a interpretação. É uma pesquisa indutiva, isto é, o pesquisador desenvolve conceitos, idéias e entendimentos a partir de padrões encontrados nos dados, ao invés de coletar elementos para comprovar teorias, hipóteses e modelos pré-concebidos (LAKATOS & MARCONI, 1999)

Esta pesquisa será qualitativa, pois a Copa do Mundo é considerada um turismo de eventos, sendo um fenômeno, e como tal está sujeito a percepção humana.

2. POLICIAMENTO TURÍSTICO

 

 

O policiamento turístico faz parte do treinamento dos policiais militares, bombeiros militares, policiais civis e guardas municipais, fazendo-se necessária a capacitação destes profissionais da área de segurança pública. A afirmação realizada por Bayard do Coutto Boitoux, em seu livro Introdução ao Estudo do Turismo, faz referência ao sistema oficial de turismo brasileiro e suas demandas. A capacitação destes profissionais, de segurança pública, que estão em contato com o turista satisfaz a necessidade de atendimento a uma demanda cada vez maior, dentro do território nacional.

Em 2008, 924 milhões de pessoas viajaram pelo mundo. Para a OMT (Organização Mundial do Turismo), este fato representou um crescimento de 2% em relação ao ano de 2007, ou seja, mais de 16 milhões de turistas.

Baseado neste acontecimento foi possível realizar um cálculo para 2020, onde seria atingida a marca de 1 bilhão e 600 milhões de turistas viajando por todo o mundo. Sabe-se que o destino de grande parte destes turistas são os países localizados na Europa haja vista as condições oferecidas, como transporte e rede de hoteleira moderna. Fato interessante é a citação dos Estados Unidos e México, como os países mais visitados nas Américas.

Com certa perplexidade, Bayard Boiteux relata que o Brasil não figura entre os dez países mais visitados do mundo. Com uma beleza natural inigualável, o turismo brasileiro vem crescendo, embora os números apresentados pela estatística estejam bem aquém de países como o México, Turquia e Ucrânia.

Constata-se com certa tristeza que o Brasil não recebe sequer 1% dos turistas que visitam o mundo. Entretanto, este quadro pode ser revertido e com isso elevar a participação do Brasil no cenário turístico internacional. As cidades mais visitadas no Brasil são Rio de Janeiro e São Paulo. Destacam-se também Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Camboriú e Recife. As regiões Sul e Sudeste são responsáveis por 60% do turismo no país.

Bayard Boiteux relata que ainda um dos maiores problemas do Brasil turístico são a sinalização turística e a limpeza pública, embora outros elementos como segurança, comunicações e táxi tenham sido fortemente criticados. O turista argentino é o que mais procura o Brasil, seguido pelo francês. O argentino tem como destino principal as cidades que fazem parte de balneários como Balneário Camboriú, Torres, Búzios entre outras das regiões Sul e Sudeste com estrutura adequada.

O turismo receptivo no Brasil tem crescido conforme pesquisas realizadas pela EMBRATUR. Todavia, faz-se necessária a qualificação dos profissionais que entram em contato direto com o turista, qualquer que nível. O visitante deverá ter prazer ao viajar pelo país de modo que desperte nele interesse para recomendá-lo a outras pessoas. Esta visão empresarial é responsável pela garantia de um fluxo cada vez maior de turistas nos países mais visitados do mundo.

 

 

2.1. COPA DO MUNDO DE 2006 NA ALEMANHA

 

2.1.1 HISTÓRICO DA POLÍCIA ALEMÃ

 

O Landespolizei (polícia da terra) pode traçar suas origens no século XIX, quando a Alemanha havia mantido suas próprias forças policiais, as duas maiores eram a Polícia Secreta Prussiana e a Polícia do Estado da Baviera. Quando a Alemanha foi unificada em 1871, sob o comando de Otto von Bismarck, estas agências policiais se tornaram Landespolizei forças. Várias cidades e vilas também mantiveram as forças policiais com o número crescente de novas leis e regulamentos, feitos para controlar a vida urbana tornando-a mais simplificada.

Durante a Segunda Guerra Mundial, todas as forças estaduais e municipais foram absorvidas na Ordnungspolizei, que existiu de 1936 a 1945.

Com o término da Guerra, havia um maciço número de refugiados e deslocados, a fome e a pobreza marcavam a vida cotidiana na Alemanha. Ataques de bandos armados, roubos, saques e comercialização ilegal eram comuns, e os policiais militares não poderiam lidar com estas situações de segurança. Logo, cada um dos aliados ocidentais rapidamente permitiram a formação de forças policiais civis na Alemanha Ocidental, e tais forças teriam a  finalidade de reorganizar as estruturas policiais e resgatar as suas tradições.

Em todas as três zonas ocidentais, a ênfase foi para a descentralização, desmilitarização e democratização da polícia. Algumas restrições ocorreram devido às tensões da Guerra Fria. A instituição cresceu exigindo da polícia um direcionamento mais central ao invés de um direcionamento local. O Landespolizei tornou-se a força policial para os estados federais no Ocidente.

A Alemanha Oriental criou uma força nacional unificada na forma do Volkspolizei, no entanto esta foi dissolvida quando ocorreu a reunificação da Alemanha, em 1990.

Todas as forças policiais estaduais estão subordinadas à Landespolizei e ao Ministro do Interior do Estado. As estruturas internas dessas forças policiais diferem um pouco (fazendo generalizações sujeitas à variação local), sendo geralmente subordinados aos ministérios do interior que são a sede da polícia regional (chamada Präsidium na maioria dos estados, Landespolizeidirektion em Baden-Württemberg). As operações diretas sobre uma vasta área ou em uma cidade grande têm funções administrativas e de supervisão.

O Präsidium muitas vezes tem o controle direto das unidades da forças especializadas, tais como patrulhas em estradas, polícia montada e destacamentos caninos. Além da sede regional, existem várias sedes distritais de polícia, como a Direktionen que serve as comunidades entre 200.000 a 600.000 cidadãos. Subordinadas a cada Direktion, há várias estações locais, a Inspektion ou recintos e a Revier que acontecem em uma base de 24 horas, monitorando a conduta do dia-a-dia do policiamento e servindo como ponto de contato para os cidadãos locais. Abaixo desse nível, o Polizeiposten é um pequeno escritório da polícia comandado por um ou dois oficiais durante o expediente.

A Polícia do Estado utiliza o patch,, brevê do estado na manga, uniformes e distintivos da cidade, usando às vezes de metal ​​sobre o bolso direito, indicando o departamento de polícia em que trabalham. Policiais podem ser transferidos para qualquer lugar dentro de seu estado.

Os polícias estaduais são divididos nas seguintes seções operacionais:

- Schutzpolizei ("Schupo"): são os policiais uniformizados que patrulham as ruas e respondem as chamadas de emergência, etc.

- Kriminalpolizei ("Kripo"): são os detetives à paisana, responsáveis pelas investigações. Por exemplo: se um carro é arrombado, a Schupo será responsável pelo seguro do carro, notificará o proprietário etc., enviando depois o caso para Kripo investigar.

- Bereitschaftspolizei (Bepo): são as unidades uniformizadas da Lapo que fornecem mão de obra adicional para desastres naturais, eventos desportivos ou manifestações.

- Landeskriminalamt (LKA): State Bureau Investigation está diretamente subordinado ao Ministério do Interior do Estado, supervisiona as operações policiais de prevenção e investigação de infrações penais, e coordena as investigações que envolvam mais de um Präsidium .

- Wasserschutzpolizei (WSP): é a polícia que realiza o patrulhamento nos rios, lagos e portos. Por motivos práticos, o WSP de um estado pode ser responsável por território de outro Estado (por exemplo, em Hamburgo, o WSP é responsável pelo o Rio Elba nos estados de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Baixa Saxônia, Schleswig-Holstein e Hamburgo).

- Spezialeinsatzkommando (SEK): é a equipe da SWAT da polícia do Estado alemão.

- Autobahnpolizei: realiza a patrulha das estradas na Alemanha.

 

2.1.2 FORMAÇÃO DA POLÍCIA ALEMÃ

 

O indivíduo Länder da Polícia Federal realiza o treinamento policial básico para o seu pessoal. A duração desta formação contribuiu em grande parte para o elevado nível de profissionalismo da polícia alemã. Ensinar todos os aspectos do trabalho policial leva tempo, mas abriga uma "estrutura de carreira uniforme, evitando uma prematura especialização. Desta forma, permite que os oficiais pensem em termos gerais, ampliando a visão que o policial tem de sua instituição e de sua missão.

Não é necessária a cidadania alemã para ser um policial na Alemanha. Os departamentos de polícia das grandes cidades são especialmente interessados ​​em recrutar agentes de minorias étnicas para reduzir as barreiras linguísticas e culturais. No entanto, estes ainda representam menos de um por cento dos números oficiais.

Os policiais da terra, como são chamados, permitiram a introdução de mulheres desde a reconstrução das forças após a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, só eram atribuídos às oficiais do sexo feminino casos que envolviam jovens e mulheres, mas em meados dos anos 70 foram autorizadas a tornarem-se policiais de patrulha. A proporção de mulheres em serviço de patrulha cresceu em torno de 50 por cento, do total do efetivo da escola de polícia.

Os Bereitschaftspolizei são os recrutas em processo de formação. Antes de irem para as ruas eles passam dois anos e meio em estudos policiais, posteriormente realizam treinamentos ou estágios aproximando-se de situações reais. São qualificados como policiais regulares e usam uniformes verdes (ou os novos uniformes azuis), estrelas em seu ombro, cintas denotando o posto no primeiro escalão do serviço policial.

 Os candidatos com uma formação escolar superior ou que possuam mais experiência, podem fazer dois ou três anos em uma escola superior de polícia ou irem para a faculdade de administração pública, qualificando-se para o escalão superior que é a Polizeihauptkommissar (quatro ou cinco estrelas de prata). Aqueles que possuem diploma do ensino médio também podem realizar estes cursos. Alguns estados, como Hessen, agora treinam todos os seus oficiais de polícia para o escalão superior melhorando as suas chances de remuneração e promoção.

 Poucos são os que se qualificam para o estudo do serviço de polícia no nível executivo, realizado por um ano em um estado, e outro ano na universidade policial alemã (Deutsche Hochschule der Polizei - DHPol) em Münster-Hiltrup onde os graduados ganham um mestrado em policia de administração. Os candidatos com um diploma universitário cursam apenas seis meses no DHPol. O escalão executivo começa com Polizeirat (uma estrela de ouro) e culmina com a Terra-chefe da Polícia Militar (coroa de ouro com 1-3 estrelas) ou chefe da Polícia Federal (coroa de ouro com quatro estrelas). O DHPol que os estados e departamento Federal do Ministério do Interior administram conjuntamente e oferecem também cursos de especialização profissional para o pessoal da polícia.

De 1945 até 1979, entre os diferentes Länder (policiais) existia uma grande variedade de insígnias e rank (cargos). Além disso, as cores nos uniformes variavam do verde ao azul, e outros vários tons da mesma cor. Por exemplo, o uniforme dos sargentos da cidade de Hamburgo era azul com insígnias invertidas estilo britânico e os policiais Schleswig Holsteins usavam uniformes verdes com classificação Terceiro Reich. A Baviera manteve tanto a Polícia do Estado (Landespolizei), bem como de Polícia da Cidade (Gemeinde / Stadt) com dois uniformes distintos, foram usados ​​durante este tempo pela polícia do Estado (Verde), e pela Polícia da Cidade (Azul).  Munique foi uma das últimas cidades a realizar a mudança, sendo finalmente incorporada pela polícia do estado em 1975. Esta organização foi também pioneira entre os outros estados alemães da então Alemanha Ocidental.

 

2.1.2.1 UNIFORMES VERDES

 

Esta estrutura permaneceu confusa até os meados dos anos 70, quando uma re-organização foi realizada para definir claramente o uniforme da polícia e as normas do veículo. Isto resultou em um novo padrão de jaqueta verde, calça bege, camisas amarelas, e chapéus brancos, embora a BGS usasse bonés e calças verdes. Este uniforme foi desenhado em 1976 pelo designer Heinz Oestergaard. Os brevês da manga e insígnias cap também foram redesenhados, a única diferença foi a exibição da crista estado no centro. A insígnia rank, também foi mudada para um estilo padrão.

Marcas de veículos também foram redesenhadas para se adequarem a farda verde e branco com a legenda "Polizei" em negrito. No entanto, por volta de 2000, outra mudança ocorreu nos veículos. Eles foram do regime verde/branco para prata/verde. No entanto, durante as duas alterações os veículos BGS permaneceram todos verdes. O Landespolizei que são veículos táticos foi pintado com um leve tom de verde.

 

2.1.2.2 UNIFORMES AZUIS

 

A partir de 2002 um lento processo de mudança começou modificando o uniforme verde para um uniforme azul reconhecido internacionalmente. O primeiro estado a converter para o uniforme azul foi Hamburgo. Um por um, outros estados seguiram o exemplo.  Emblemas, brevês e classificação permaneceram os mesmos de antes, apenas em azul. Os veículos também mudaram para um design de cor prata/azul. As mudanças ainda estão em andamento, entretanto mais de dois terços da frota já foram alterados.  O estado do Sare e o estado da Baviera não demonstraram interesse de participar da conversão dos uniformes, sendo sua vontade respeitada pelos demais.

 

2.1.3 A PARTICIPAÇÃO DA POLÍCIA ALEMÃ NA COPA DE 2006

 

            Durante a Copa do Mundo de 2006 os jornais e imprensa de uma forma geral, classificaram o comportamento do policial alemão como sendo rude e grosseiro. “Alguns membros daquela corporação não são abertos ao diálogo com os turistas”, comentou a imprensa internacional. Limitavam-se a dar informações, quando possuíam o domínio do idioma inglês.

            Não são todos os policiais alemães que sabem falar fluentemente o inglês, afirmou uma jornalista estrangeira, constatando que os mais idosos não falavam inglês e demonstravam certa aversão a esta língua. Os mais jovens dominavam o idioma, mas restringiam-se a dar informações básicas sem demonstrar muito interesse em ajudar o público turístico que visitava as diversas regiões da Alemanha.

            Apesar dos esforços do governo alemão em transmitir um espírito de congraçamento entre os participantes da Copa do Mundo de 2006, cujo tema retratava a importância de se fazer amizades, este objetivo não foi elogiado pela imprensa internacional.

            Na avaliação realizada pelo governo alemão, verificou-se a necessidade de transpor todas as barreiras existentes, neste sentimento xenofóbico do povo alemão com os estrangeiros e turistas visitantes. A mudança da imagem da Alemanha, perante o mundo era primordial, por ter sido responsável por um conflito que abalou a história da humanidade nos diversos campos.

            A comunicação, em idioma inglês, foi considerada satisfatória sendo identificados pontos positivos tanto na participação da polícia alemã quanto do povo alemão.         Este fator favoreceu a receptividade dos turistas que estiveram presentes naquele mundial. Esta competência foi classificada como favorável e transmitida na reunião de avaliação do evento aos próximos organizadores, os sul-africanos.

            A cooperação internacional auxiliou a polícia alemã a tratar os diversos incidentes com turistas e torcedores dos muitos países que se fizeram presentes em 2006. Cerca de 500 policiais estrangeiros participaram da Copa do Mundo da Alemanha, na qualidade de convidados do Ministério do Interior daquele país.

            O efetivo estava distribuído em 32 nacionalidades e corpos policiais que estavam credenciados pela polícia alemã e faziam parte da União Européia. O tema principal que gerou o convite e a posterior participação de toda a força tarefa internacional foi a prevenção aos ataques dos hooligans. Esta torcida inglesa é conhecida pela violência com que atua nos estádios de futebol de todo o mundo.

            A polícia inglesa participou do evento com uma representação de 79 funcionários e 44 agentes em trajes policiais, auxiliando a polícia alemã a tomar conta dos 100 mil ingleses que entraram no país. A união das polícias alemã e inglesa demonstrou o nível a que chegaram os responsáveis pela segurança do Mundial. As resistências culturais e divergências do passado foram superadas em prol de um só objetivo, mostrar ao resto do mundo que a organização e o planejamento fazem a diferença na realização de uma Copa do Mundo.

 

 

2.2. A COPA DO MUNDO DE 2010 NA ÁFRICA DO SUL

 

2.2.1 HISTÓRIA DA ÁFRICA DO SUL

 

             No Memorial Hector Peterson, em Soweto, existe uma réplica maior do que o tamanho real da fotografia que chocou a opinião pública ao redor do mundo. Este memorial é um terreno sagrado para os negros sul-africanos, que idolatram o garoto Peterson, um jovem de 13 anos. Ele foi um dos muitos jovens a morrer em Soweto, em junho de 1976. Muitos deles estavam usando uniformes escolares, defendendo-se com tampas de lata de lixo de cobre contra as balas da polícia. Quando dezenas de milhares de jovens, muitos sem informar seus pais, haviam se reunido para marchar e protestar contra o decreto do governo do apartheid, escrito em africâner, o idioma associado ao governo opressor daquela época.

            O Hector Peterson Memorial recebe um fluxo constante de caravanas de turismo que atrai multidões, principalmente nas tardes de inverno ameno, e este é apenas um dos lembretes surpreendentes do passado que podem ser encontrados no país que se preparou para receber a Copa do Mundo de 2010.

 

2.2.2 OS PREPARATIVOS PARA A COPA DO MUNDO

 

            Chris, um turista inglês que visita a África do Sul e colhe informações sobre os preparativos, aponta para o lado de fora do táxi em direção ao estádio em construção. Na verdade ele tenta induzir a resposta do motorista sobre os temas relacionados à corrupção das grandes empreiteiras em relação ao evento que está por vir. Mas fica surpreso com a resposta do trabalhador que acredita no futuro de seu povo, quando este aponta para o porto de "Robben Island" que está na mesma direção do estádio.

            Muito além do estádio, onde os interesses dos endinheirados colidiram com a estética e valores de propriedade, fica a penitenciária na infame ilha onde os presos políticos foram mantidos, em alguns casos há décadas. Mesmo um observador casual da história sabe que este local é onde Nelson Mandela ficou preso durante 27 anos. Assim o turista inglês pôde compreender que apesar dos problemas nacionais eles tinham muito que comemorar, motivando-se e acreditando em um futuro, que havia sido conquistado com o sangue dos heróis do passado

            Desta forma é possível compreender que a Copa do Mundo de 2006 foi uma prova de superação realizada por uma nação inteira, que reunida em torno de um ideal conseguiu realizar o evento

 

2.2.3 AS CRÍTICAS NA PREPARAÇÃO PARA O MUNDIAL

 

            É impossível contemplar o futuro da África do Sul, sem considerar o passado desta nação.         A África do Sul ganhou por apenas um voto de diferença o direito de sediar a Copa do Mundo de 2010.  A decisão da FIFA sobre o direito daquele país representante do continente africanos de sediar o torneio de 2010 foi vista em muitos setores não como uma decisão inspirada em idealismo político, mas uma escolha ingênua no campo logístico. Trinta e duas equipes internacionais, um bilhão e meio milhão de pessoas, meios de comunicação do mundo todo faziam parte dos interesses coorporativos.

            O cenário em que se encontrava este país, que lutava contra os diversos problemas sociais, pode ser observado em alguns dos acontecimentos a seguir:

            - "Posso assegurar-vos, África do Sul estará pronta", diz Sam Ramsamy. Não sendo esta a primeira vez que ele tenha respondido a essa pergunta. Como ex-chefe do Comitê Olímpico Sul-africano, Ramsamy, membro do Comitê Olímpico Internacional e Comitê Executivo, é bem-educado na nuance da necessidade de políticas globais esportivas.

            - "Até certo ponto, não temos a atitude anglo-saxônica de fazer as coisas prontas com antecedência", diz ele. "E isso é importante para nós, porque se os estádios estão prontos, agora temos a responsabilidade de manter todos eles." Levantando a questão de como a nação vai sustentar os seus 10 estádios novos ou reformados, uma vez que o mundo é globalizado e a manutenção destes gigantes custa muito caro.

            - "Há certo grau de ceticismo sobre o nosso país", diz Ramsamy, que liderou o boicote desportivo internacional da África do Sul através de duas décadas no exílio na década dos  70 aos 80. "Somos um país em desenvolvimento, e o mundo letrado sempre olha para nós como: 'Eles não são capazes de fazer as coisas. Eles não têm a capacidade’" É um preconceito, e os preconceitos só podem morrer quando fazemos certas coisas direito. "

 

 

2.2.4 AS TAXAS DE CRIMINALIDADES DO PAÍS

 

             O crime era uma preocupação enorme para a Copa do Mundo de 2010. As estatísticas sugeriram que as cidades sul-africanas podiam ser as mais perigosas do mundo. Uma tarde em Soweto poderia não ser uma das mais seguras, pois roubos e furtos são comuns neste local. Em contrapartida nos bairros nobres a segurança é reforçada. Altos muros, com até 8 metros de altura e cercas eletrificadas, fazem parte da realidade dos ricos na África do Sul.

            Alguns habitantes de Soweto não acreditavam que a Copa do Mundo pudesse trazer qualquer alteração na vida do dia-a-dia do povo pobre e humilde daquele local. Outros tinham a certeza de que tudo que fosse realizado iria acabar após o mundial, “aquele país não é como a Alemanha, pois o seu povo morre de fome nas ruas”, diziam os críticos.

            O estádio de Soccer City foi modelado em uma cabaça, uma tigela tradicional Africana. O estádio central para a Copa do Mundo fica em uma planície poeirenta perto de Soweto, a sua construção foi cercada por uma série de dificuldades e atrasos. Com 90.000 lugares foi construído por milhares de trabalhadores que desembarcaram sem empregos fixos, muitos oriundos da criminalidade, em uma economia em dificuldades. Estes mesmos trabalhadores viriam a participar de diversas manifestações por melhores salários, ocasionando algumas vezes a paralisação da obra. Sendo que após a sua construção, os mesmos trabalhadores voltariam a fazer parte da massa de desempregados, onde muitos retornariam para a criminalidade.

 

2.2.5 AS FORÇAS DE SEGURANÇA SUL-AFRICANA

 

            Para a Copa do Mundo de 2010 a polícia sul-africana utilizou os seus 440.000 policiais para realizarem todas as missões relacionadas ao patrulhamento geral. Entretanto os estádios de futebol receberam um reforço de 30.000 homens e mulheres contratados como seguranças particulares. Este efetivo foi empregado dentro e fora dos estádios de futebol.

            A formação dos profissionais que atuaram no evento foi algo ligado diretamente aos conceitos motivacionais, sendo neste caso os motivos financeiros. Sabe-se que o governo daquele país gastou 28 milhões de euro em pagamentos de horas extras, para os policiais que trabalharam de forma integral durante os 31 dias de duração do evento.

            Houve a participação de efetivos das forças militares nas grandes cidades, pois estas eram consideradas de confiança. Os militares estiveram presentes nos pontos estratégicos das cidades sede.

            Ocorreram greves por parte dos seguranças contratados para trabalharem nos estádios, pois estavam descontentes com o atraso do pagamento. Nestes dias, os policiais tiveram que assumir os serviços dos seguranças.

            Ao final do mundial o governo através dos meios de comunicação avisou aos turistas que o evento havia terminando e que já era hora de regressarem aos seus países de origem. A garantia da paz e da baixa taxa de criminalidade só foi possível durante a realização do evento com o emprego maciço do efetivo pago para a ocorrência destes direitos.

 

 

 

3. AS COMPETÊNCIAS

 

 

3.1 CONCEITUANDO COMPETÊNCIAS

 

Existe uma vasta literatura destinada a definir competência, a falta de consenso também impõe dificuldades para se chegar a este objetivo (PERRENOUD, 1999). O conceito torna-se instável e confuso, pois coexistem diversas vertentes teóricas, que expressam visões de mundo, expectativas e aspirações distintas.

Utilizar a palavra para designar pessoa qualificada, não significa dizer que as pessoas denominadas incompetentes devam permanecer marginalizadas ou que estejam fora do circuito de trabalho. (FLEURY E FLEURY, 2004)

O dicionário Webester (1981, p.63), define na língua inglesa competência como sendo a qualidade ou estado de ser funcionalmente adequado, ou ter conhecimento suficiente e habilidades para determinada tarefa. Esta definição bem genérica liga este conceito a dois pontos principais: conhecimento e tarefa. O dicionário Aurélio da língua portuguesa enfatiza em sua definição aspectos semelhantes: capacidade para resolver qualquer assunto, aptidão, idoneidade e capacidade legal para julgar o pleito.

 Parry (1996) define competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionadas, que afetam a maior parte de uma tarefa, papel ou responsabilidade que se reporta ao desempenho da função assumida. Podem ser aferidas por parâmetros bem aceitos, sendo susceptíveis a aquisição ou melhoria pela capacitação, treinamento e desenvolvimento.

A competência é conhecida como estoque de recursos que o indivíduo detém, embora o centro das análises sejam os indivíduos, a maioria dos autores americanos foca sua definição como sendo o conjunto de tarefas pertinentes a um cargo (SPENCER E SPENCER, 1993; MCLAGAAN 1996; MIRABILE, 1997).

Segundo Durand (1998, apud BRANDÃO; GUIMARÃES, 2001) conhecimentos, habilidades e atitudes resultam na competência para determinado objetivo. Este conceito é ilustrado na Figura 1. Antes de executar o projeto deve-se saber o quê será feito, qual a necessidade que será suprida com este produto, quais as previsões de venda, os requisitos do projeto e os riscos. As habilidades compreendem a capacidade para execução, possuir habilidades técnicas que permitam executar o projeto é o saber como fazer.

Além destes dois eixos, as atitudes são necessárias para que o projeto deixe de ser apenas um plano e concretize-se. As atitudes são determinadas pela identificação com os objetivos, a determinação e a vontade de atingir os resultados (DURAND, 1998 apud BRANDÃO; GUIMARÃES, 2001).

Para Durand (1998) o desenvolvimento de competências, se dá por meio da aprendizagem individual e coletiva envolvendo simultaneamente as três dimensões, como no modelo que segue abaixo:

 

 

                                            

                                                 Conhecimento:

                                                            Informação

Saber o que

                                                         Saber por quê

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atitudes:                                                                                          Habilidade:

Técnica                                                                                                    Quer fazer

Capacidade                                                                                              Identidade

Saber como                                                                                              Determinação

       
   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1: As Três dimensões da competência. Adaptado de Duran (2000).

 

 

Conhecimento é o conjunto de saberes que uma pessoa adquiriu na sua formação e nos cursos que realizou ao longo de sua educação formal. Este elemento da competência é entendido sobre duas vertentes. A primeira está relacionada ao cargo, que são as exigências que o mesmo possui, como formação acadêmica, conhecimentos técnicos e especialidade. A segunda refere-se à especificidade da sua formação, escolaridade, idiomas, informática, para atender as necessidades do cargo (RABAGLIO, 2006).

As habilidades referem-se ao conhecimento pela prática onde a pessoa desenvolve a capacidade de manusear instrumento prático ou teórico. É o conhecimento aplicado as tarefas de forma correta e em momento oportuno, sem erros.

Como afirma Robbins (2002, pag.35): “habilidade refere-se à capacidade de um indivíduo em desempenhar diversas tarefas dentro de uma mesma função. É uma avaliação atual daquilo que um indivíduo pode fazer. A habilidade em geral é construída sobre dois tipos de fatores: as habilidades físicas e as habilidades intelectuais”

A atitude é o que faz com que as coisas realmente aconteçam, pois nada vale o conhecimento adquirido sem a vontade imbuída de valores.

            O conceito de competência pode também ser considerado a partir de cinco elementos dependentes entre si: (i) o conhecimento explícito, (ii) as habilidades, (iii) as experiências, (iv) o julgamento de valor e (v) as redes sociais, conforme representado na Figura 2. O conhecimento explícito é aquele obtido pela educação formal. As habilidades correspondem às capacidades físicas e mentais do indivíduo. As experiências estão relacionadas à vivência de situações e a reflexão sobre seus atos. O julgamento de valor está relacionado aos conceitos do que o indivíduo pensa ser certo ou errado. E por fim, as redes sociais são os relacionamentos que o individuo possui com outras pessoas (SVEIBY, 1998 apud STRAUHS, 2003).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 2: Conceituando competência a partir de cinco elementos interdependentes. Adaptado de Sveiby (1998).

 

 

Tanto na literatura acadêmica quanto na prática administrativa o conceito de competência é sempre a tarefa ou o conjunto de tarefas pertinentes a um cargo, sendo esta realidade fundamentada ainda nos antigos princípios do taylorismo-fordismo.

            Entretanto Laweler argumenta que nas organizações mais complexas em um mundo globalizado, os princípios de Taylor já não atendem as demandas deste mundo em constante mutação. Estas empresas modernas já não competem somente por produtos, pois se faz necessária a existência da competição por seres humanos, que possuem qualidades diversas desenvolvendo diferentes combinações.

Insatisfeitos com o descompasso entre o sistema educacional e as reais necessidades de capacitação dos funcionários das indústrias, a escola francesa resolveu realizar a aproximação destes conhecimentos. Este gesto visava aumentar a capacitação dos trabalhadores, destinando-os aos empregos que estavam sendo criados.

No campo educacional o conceito de competência passou a outras áreas, como no campo das relações trabalhistas, avaliando a qualificação necessária a determinado posto de trabalho, nascendo assim o inventário de competências: bilan de competences

            Baseados no trabalho de Le Boterf, Fleury e Fleury (2004, p. 30), “o conceito de competência é construído como sendo “um saber agir




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